Sábado, 26 de Maio de 2012

A Democracia Perfeita




Gostaria mais que tudo, que reflectissem sobre o que escrevo, e admito sempre poder estar errada.


A badalada dívida pública resultou de abstrusos incentivos à desordenada utilização de créditos ao consumo, tendo por base taxas de juro muito baixas que, em termos bancários, apenas se tornavam vantajosos em progressão constante claro que a utilização imoderada de tais créditos animaram a construção civil, bem como actividades ligadas ao lazer, criando postos de trabalho para técnicos, operários, artistas, etc., além de empresas ligadas ao sector imobiliário, turístico e, sobretudo, especulativo ao fim e ao cabo, parte da dívida pública poderá ser considerada ilegítima, por ter sido realizada com intuitos pouco transparentes, quiçá dolosos, pela motivação da transferência de activos públicos para as mãos de privados legítimo será questionar a existência de tantos bônzios na política e, acima de tudo, nas ciências económicas deste país, sem qualquer deles ter alertado os cidadãos para os riscos em causa, limitando-se a maioria a comentar o que já é óbvio continuo a afirmar a crise não é material, é de valores a material reflecte apenas a segunda, de valores, espiritual se assim o desejarmos, (o material tem sempre razão, pois ele é isso mesmo, material e nada mais que isso).


Agostinho da Silva dizia "Não foram os Homens (humanidade entenda-se) sobrecarregados de trabalho, esmagados pelo trabalho, que criaram a Filosofia, a ciencia a arte.
Talvez a crise pudesse acabar se assim o desejasse mos, mas claro que há um trabalho a fazer, uma caminhada a percorrer o que é preoucupante é que essa caminhada esse trabalho não se faz e quem serão os culpados? Sim o povo, todos nós, na medida em que abdicamos de participar de forma coerente orientada e decidida.
O trabalho - actividade física ou intelectual orientado à produção - é o gerador da economia e o sedimento da comunidade. A racionalização deste contra a manipulação oportunista e o entesouramento dos
possidentes endémicos é o "leit-motiv" da revolução permanente.
A liberdade está na natureza propriamente dita e no homem que decidirá o caminho a percorrer, superando a frustração do amanhã, contingencial através da realização do necessário possível direito que, por mais elementar que seja, não passa de um conjunto de regras moralmente justas e imparciais, pecando apenas pela mera despersonalização
Do necessário possível.... até quando?
A entreajuda reforça os laços comunitários e estes deveriam ajudar a satisfazer as necessidades individuais, isto é, melhor segurança, conforto e felicidade de todos.
E tantos campos por cultivar, tanta justiça por se cumprir...
Sem dúvida que a maioria das pessoas está somente preocupada com aquilo que afecta as suas vidas quotidianas, não mostrando grande interesse (compreensão?)pela política nacional e/ou internacional.
Para a maioria da população, a feitura das leis pouco importa, a percentagem de votantes em cada acto eleitoral cada vez é menor e a abstenção cada vez maior, demonstrando o crescente desinteressse e afastamento da população relativamente à vida colectiva e ao nossos sistema parlamentar. Quando o governo afecta opressivamente os interesses dos cidadâos, aumenta impostos, corta benefícios, arruina o padrão de bem-estar (fictício ou real) a que o cidadão comum está habituado e sem dúvida tem direito, o rastilho precisa apenas de uma de uma pequena mecha para deflagrar...

A democracia torna-se ineficaz quando permite o acesso ao poder de políticos pouco qualificados que, geralmente, deixam a corrupção campear na tomada de decisões, deixando que os "lobbies" económicos se intrometam, forçando e infletindo muitas vezes o sentido das orientações gerais de politica económica e de desenvolvimento.
A corrupção na democracia é pior que nos regimes oligárquicos, porquanto nestes o espólio é compartilhado por uma minoria bem próxima do poder instalado, enquanto que nos regimes ditos "democráticos" a corrupção e o compadrio multiplica-se para satisfazer as várias familias politicas e financeiras.

Não há formulas mágicas, nem mesmo na alquimia, a mudança está dentro de cada um de nós, temos que abdicar cada um à sua dimensão de objectivos que prejudiquem os outros e às vezes de pequenos caprichos individuais para que todos tenhamos direito a uma vida salutar e digna do ponto de vista individual e colectiva.




26 de maio de 2012

Maria Valadas

Sábado, 12 de Maio de 2012

Sonho e Pesadelo






Decorreu um mês após o desaparecimento do meu pai e numa manhã do mês de Abril, acordara com uma estranha sensação. Tivera um sonho muito estranho:

Vira- me deitada numa maca de hospital tapada somente com um lençól, (tinha a certeza que era eu), e ouvi uma voz de mulher que me era muito familiar pronunciar: Estás muito doente e acrescentou duas palavras que não tenho a certeza se eram: Irás morrer ou Não irás morrer!

Durante algum tempo, não falei a ninguém do tão estranho sonho... e por vezes, dava comigo a pensar que tinha tido um pesadelo, até passavam dias que nem sequer o recordava.

No mês de Maio ( um mês depois), aconteceu o aviso que tivera no sonho.

No dia treze de Maio de 1998, era internada para ser intervencionada cirurgicamente para remoção de um tumor maligno ( linfoma no óbdmen). Seguidamente com sessões de quimioterapia durante um perío­do de oito meses.

Lutei contra esta terrível­ sentença, lutei com os efeitos secundários da quimioterapia e durante sete anos estive quase a cantar vitória, até que...

Novamente tive que ir para a batalha, sendo desta vez os tratamentos mais agressivos, obrigando- me a ficar internada uma semana a levar Quimio, vinte e quatro/por vinte e quatro horas e três semanas em casa a convalescer. Toda esta luta durou oito internamentos com mais um para levar transfusões de sangue e de plaquetas.

Mais uma vez.... Venci a batalha!

Passaram três anos... e novamente tinha o "inimigo" a atormentar- me.

Retomei a fazer as sessões de Quimioterapia ( só que desta vez, o medicamento que utilizaram ainda era mais agressivo), o que me deixava sem defesas.

Desde a terceira tentativa para sobreviver já passaram três anos... e esta semana, tenho exames e consulta de rotina.

Daí­ sentir uma tremenda vontade de escrever por tudo o que já passei e dar Ânimo a quem esteja a

passar pelo mesmo.

Já passaram catorze anos... e ainda aqui estou!

Por isso, amigos/as... Nada de desesperar e ir sempre em frente e enfrentar o "inimigo".

Se tivesse desistido não teria a benção de conhecer o meu neto... o meu único Neto.



DESISTIR DE LUTAR... JAMAIS!








Dia 12 de Maio de 2012
Maria Valadas



Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Atitudes


Todo o ser humano tem dias bons e outros menos bons. E nesses dias
menos bons procuro não desorientar-me e aborrecer- me. Tento encontrar
perante diferentes opções, opiniões ou resultados e antes de actuar não
só devo escutar o meu pensamento, como também devo prestar atênção ao
meu coração, é possível que não estejam de acordo. Procuro experimentar
dar mais atenção, mesmo que não pareça lógico nem me garanta o êxito.
Tento compreeender que para outros esta experiência possa ser valiosa.
Não me julgo perfeita ou sábia, e também não quero acreditar que a razão
que defendo tão energicamente é a única e verdadeira. Tento escutar,
partilhar e deixar que cada um pense, deseje e actue como lhe parecer
melhor. Começo sempre por mim própria, não me exijo sempre a perfeição
e tento aceitar que sou um ser humano imperfeito.

Há dias incompreensíveis e que não se entendem certas atitudes de
pessoas que coabitam o mesmo espaço que nós. Então, teremos que
recorrer à tolerância para o bem estar de todos.

Tenho dito.




Texto: Maria Valadas
Pintura: Renoir

Sábado, 24 de Março de 2012

Pensando




Pensando:

A Vida nos modelou,

Os afetos criam-se, mantêm-se e preservam-se.





Maria Valadas

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Sobre a educação



No nosso quotidiano deparamos com procedimentos deselegantes.
Tais procedimentos, ainda que provenientes de pessoas que
integram o nosso circulo de afeição, sejam amigos/as ou familiares,
ainda mais fazem juz a este epítodo.
Todavia há que interiozar a nossa revolta interior e antes de actuar
perantes tais atitudes, deveremos escutar os nossos pensamentos, como
também prestar atenção ao nosso coração.
Talvez um dia venhamos a entender os tais procedimentos deselegantes.
Ninguém é perfeito nesta vida,e na procura do ideal que nós sonhamos
mas que na realidade não existe, caímos por vezes na nossa própria
teia. Se começarmos por ser exigentes connosco mesmo não iremos exigir
sempre a perfeição, e aceitamos que somos e continuaremos a ser imperfeitos.
Mas há momentos em que, ou porque estamos mais fragilizados, ou
porque em nosso redor, sempre houve boas regras de educação e
convivência, achamos não ser merecedores de tais procedimentos.
A educação assimilada, desde que compreendamos que ocupamos um lugar
neste mundo, que há regras para cumprir, regras essas que nos
acompanham desde o início até ao fim da nossa vida, e que, na medida
do possível, procuraremos transmitir aos nossos descendentes, para que
através deles, permaneça e se transmita a compostura e a dignidade
educacional.
É fundamental a moral e os bons costumes provindos dos nossos
progenitores e educadores.
Compreender tudo isto tranquiliza- nos, e observarmos como todo este
processo se desenrola e multiplica, deixa-nos convictos e atentos à tão
proclamada verdade/certeza, "A Educação é um valor inestimável a
preservar e a instituir desde o berço".








Texto: Maria Valadas
Pintura: Donal Zolan

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Intuições femininas



Há momentos que não deveriam existir ou as tais intuições femininas de que tanto se fala. Mas não há volta a dar a tais instantes e é seguir em frente e tentar esquecer que eles coabitaram o nosso intimo.
Tenho dias que me olho nos olhos, escuto a minha própria voz, sinto o meu coração e observo os meus actos.
Consigo estabelecer uma boa comunicação, ao aproximar-me de mim própria. Penso que as pessoas que estão à minha volta desejarão estar comigo. Sinto- me acompanhada e aceite. Gostaria que assim fosse para sempre em toda rotina da minha vida. Até que um dia... o espelho que reflecte toda esta imagem de mim, cai em estilhaços de lágrimas.
Quando me zango quebro o coração e deixo de sentir harmonia. Aprendi a parar a mente para falar melhor comigo através da intuição. Não pretendo comunicar com os outros sem procurar comunicar primeiro comigo. Na verdade, não deixo que me conheçam profundamente.
Quero sossegar a minha mente e faço a seguinte questão: A quem devo contar os meus problemas?
Penso imediatamente nos seres que trouxe ao mundo, mas não querendo preocupá-las, refugio- me em mim própria.
Penso no companheiro e meu porto de abrigo... mas Não!
Não, Não... e Não!
Mas porque não?
Na sequência que todos os meus desaires foram e são provocados por esse " porto de abrigo".
Amplio a minha memória e sinto que fui manipulada toda a minha vida.
Daí não querer comunicar com ninguém... porque a única culpada ao deixar- me manipular fui eu. Deveria ter aberto as arcas do coração e ir à aventura das minhas quimeras.
Não irei carpir em "leite derramado"...
Hoje, sinto- me traída num amor, amizade e actos falsos.
Comparando: Quando um tigre tem fome e decide caçar, fica com os sentidos atentos e em alerta para não deixar escapar nenhum ruído, movimento ou cheiro e para quando chegar o momento oportuno poder actuar com rapidez e sem deixar vestígios.
Mas há um dia.... que é apanhado desprevenido e semeia a dor e indiferença da fémea.

Acontece com os animais irracionais como com os racionais.



Texto: Maria Valadas
Pintura: Brusse

Sábado, 1 de Outubro de 2011

Minha amada... Mãe!



Minha amada,

Escrever a emoção que dilata o meu coração sobre a mulher que me transportou no ventre, e imaginar o seu gesto de amor sereno ao contemplar a criança que aconchegou no seu regaço, é indescritível a sensação do seu acto de amor incondicional.
Minha mãe, meu amor, meus olhos de cor de avelã, meus cabelos de cor da neve. Doce epiderme que inúmeras vezes acariciei e beijei.
Meu porto seguro na entrada neste novo mundo, repleto de labirintos insidiosos, dos quais me abrigaste das intempéries imprevistas.
O teu semblante de temperança, jamais se ausentará da minha memória.
Como te amei e sempre idolatrarei minha querida mãe!
Como agraciar ao Meu Deus, a oferenda de ter possuído como minha mãe, um ser humano como tu… mãe?
Minha querida, nestas linhas vai expresso quase todo o amor que sempre
manisfestei através do período de tempo que permaneceste connosco, incluo o pai ( que já está junto a ti), o meu irmão, a quem também adoravas e as tuas netas, que eram a luz dos teus olhos.
Recordas, minha adorada, da nossa última conversa, repleta de humor?
Quem diria, que na alvorada seguinte, adejarias nas asas dos Anjos?
Suporto esta dolorosa e imensa saudade, na certeza porém, que um dia
ficarei junto a ti.

Aqui neste plano… não passa um só dia que não me recorde da imensa saudade que tenho de ti.

Maria Valadas





Texto: Maria Valadas