A badalada dívida pública resultou de abstrusos incentivos à desordenada utilização de créditos ao consumo, tendo por base taxas de juro muito baixas que, em termos bancários, apenas se tornavam vantajosos em progressão constante claro que a utilização imoderada de tais créditos animaram a construção civil, bem como actividades ligadas ao lazer, criando postos de trabalho para técnicos, operários, artistas, etc., além de empresas ligadas ao sector imobiliário, turístico e, sobretudo, especulativo ao fim e ao cabo, parte da dívida pública poderá ser considerada ilegítima, por ter sido realizada com intuitos pouco transparentes, quiçá dolosos, pela motivação da transferência de activos públicos para as mãos de privados legítimo será questionar a existência de tantos bônzios na política e, acima de tudo, nas ciências económicas deste país, sem qualquer deles ter alertado os cidadãos para os riscos em causa, limitando-se a maioria a comentar o que já é óbvio continuo a afirmar a crise não é material, é de valores a material reflecte apenas a segunda, de valores, espiritual se assim o desejarmos, (o material tem sempre razão, pois ele é isso mesmo, material e nada mais que isso).
Agostinho da Silva dizia "Não foram os Homens (humanidade entenda-se) sobrecarregados de trabalho, esmagados pelo trabalho, que criaram a Filosofia, a ciencia a arte.
Talvez a crise pudesse acabar se assim o desejasse mos, mas claro que há um trabalho a fazer, uma caminhada a percorrer o que é preoucupante é que essa caminhada esse trabalho não se faz e quem serão os culpados? Sim o povo, todos nós, na medida em que abdicamos de participar de forma coerente orientada e decidida.
O trabalho - actividade física ou intelectual orientado à produção - é o gerador da economia e o sedimento da comunidade. A racionalização deste contra a manipulação oportunista e o entesouramento dos
possidentes endémicos é o "leit-motiv" da revolução permanente.
A liberdade está na natureza propriamente dita e no homem que decidirá o caminho a percorrer, superando a frustração do amanhã, contingencial através da realização do necessário possível direito que, por mais elementar que seja, não passa de um conjunto de regras moralmente justas e imparciais, pecando apenas pela mera despersonalização
Do necessário possível.... até quando?
A entreajuda reforça os laços comunitários e estes deveriam ajudar a satisfazer as necessidades individuais, isto é, melhor segurança, conforto e felicidade de todos.
E tantos campos por cultivar, tanta justiça por se cumprir...
Sem dúvida que a maioria das pessoas está somente preocupada com aquilo que afecta as suas vidas quotidianas, não mostrando grande interesse (compreensão?)pela política nacional e/ou internacional.
Para a maioria da população, a feitura das leis pouco importa, a percentagem de votantes em cada acto eleitoral cada vez é menor e a abstenção cada vez maior, demonstrando o crescente desinteressse e afastamento da população relativamente à vida colectiva e ao nossos sistema parlamentar. Quando o governo afecta opressivamente os interesses dos cidadâos, aumenta impostos, corta benefícios, arruina o padrão de bem-estar (fictício ou real) a que o cidadão comum está habituado e sem dúvida tem direito, o rastilho precisa apenas de uma de uma pequena mecha para deflagrar...
A democracia torna-se ineficaz quando permite o acesso ao poder de políticos pouco qualificados que, geralmente, deixam a corrupção campear na tomada de decisões, deixando que os "lobbies" económicos se intrometam, forçando e infletindo muitas vezes o sentido das orientações gerais de politica económica e de desenvolvimento.
A corrupção na democracia é pior que nos regimes oligárquicos, porquanto nestes o espólio é compartilhado por uma minoria bem próxima do poder instalado, enquanto que nos regimes ditos "democráticos" a corrupção e o compadrio multiplica-se para satisfazer as várias familias politicas e financeiras.
Não há formulas mágicas, nem mesmo na alquimia, a mudança está dentro de cada um de nós, temos que abdicar cada um à sua dimensão de objectivos que prejudiquem os outros e às vezes de pequenos caprichos individuais para que todos tenhamos direito a uma vida salutar e digna do ponto de vista individual e colectiva.
26 de maio de 2012
Maria Valadas




